A pastora Terry Gobanga, do Quênia, não apareceu para o casamento dela por uma razão muito grave: ela tinha sido estuprada por um grupo de homens no mesmo dia e foi deixada à beira da estrada, quando seus abusadores pensaram que ela estava morta. Como se não bastasse tamanha tragédia, seu marido, Harry, acabou morrendo apenas 29 dias após o casamento.

Seu sofrimento foi ainda mais agravado porque ela foi desprezada por sua comunidade, que achava que ela estava “amaldiçoada”, por causa do estupro.

Agora, ela contou a sua notável história para a BBC, descrevendo como sua fé em Cristo a ajudou a restaurar sua vida novamente.

Era um grande casamento que se realizaria em uma catedral de Nairobi (Quênia), e toda a sua igreja e sua grande família estavam lá.

“Mas na noite anterior ao casamento eu percebi que estava com algumas roupas de Harry, incluindo sua gravata. Ele não podia aparecer sem uma gravata, então uma amiga que tinha ficado á noite em minha casa se ofereceu para levar a gravata pela manhã. Nós nos levantamos ao amanhecer e eu a acompanhei a pé até a estação de ônibus”, contou.

“Enquanto eu estava voltando para casa, passei por um cara sentado no capô de um carro – de repente ele me pegou por trás e me jogou no banco de trás do carro dele. Havia mais dois homens lá dentro. Tudo aconteceu em uma fração de segundo”, acrescentou. “Um pedaço de pano estava cheio na minha boca. Eu estava chutando e batendo neles, tentando gritar. Quando consegui empurrar o pano para fora da boca, gritei: ‘É o dia do meu casamento!’ Foi quando eu acertei o meu primeiro golpe neles. Um dos homens me disse: ‘coopere ou você vai morrer”.

Terry contou que o estupro se deu por revezamento entre os homens e ela tinha a certeza de que não sobreviveria àquele momento.

“Os homens se revezaram para me estuprar. Tinha certeza de que ia morrer, mas ainda estava lutando pela minha vida, então, quando um dos homens tirou a mordaça da minha boca, eu o mordi com força. Ele gritou de dor e um deles me esfaqueou no estômago. Então eles abriram a porta e me expulsaram do carro em movimento.

Ela estava agora a quilômetros de distância, fora de Nairobi e passaram mais de seis horas desde o seu sequestro.

O resgate

Ela finalmente foi resgatada, depois que uma criança a viu sendo jogada do carro e chamou sua avó, que por sua vez, chamou a polícia. Eles a pegaram e, pensando que estava morta, dirigiram-se para ver o cadáver, mas ela tossiu, então a levaram ao hospital.

“Eu estava meio nua e coberta de sangue, e meu rosto estava inchado. Mas algo deve ter alertado aquela senhora, porque ela adivinhou que eu era uma noiva”, contou.

“Vamos ao redor das igrejas para ver se eles estão perdendo uma noiva”, disse a senhora que resgatou Terry às enfermeiras.

Quando a família e o noivo de Terry ouviram onde ela estava, eles foram ao hospital com todos os convidados.

Os médicos alertaram que ela poderia ter filhos, porque a facada havia atingido o útero.

Ela continuou pedindo perdão a seu noivo Harry, enquanto sentia que o havia decepcionado.

“Algumas pessoas disseram que eu era culpada por aquilo, pois saí de casa pela manhã. Foi muito doloroso, mas minha família e Harry me apoiaram”, contou.

Pastora é estuprada no dia de seu casamento e perdoa abusadores: “Minha fé me encorajou”

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